24 de fevereiro de 2007

Valsinha

Valsinha

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque / Vinicius de Moraes

Um dia, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava
[olhar
E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar
E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto,
[convidou-a pra rodar
E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar
Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como há muito tempo não se
[usava dar
E cheios de ternura e graça, foram para a praça e começaram a se
[abraçar
E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou
E foi tanta felicidade que toda cidade se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se
[ouvia mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu
Em paz

23 de fevereiro de 2007

Luz Negra

A seguir, uma canção de Nelson Cavaquinho, na voz da doce Nara Leão.

Luz Negra

Nelson Cavaquinho

Composição: Nelson Cavaquinho

Sempre só
Eu vivo procurando alguém
Que sofre como eu também
E não consigo achar ninguém

Sempre só
E a vida vai seguindo assim
Não tenho quem tem dó de mim
Estou chegando ao fim

A luz negra de um destino cruel
Ilumina um teatro sem cor
Onde estou desempenhando o papel
De palhaço do amor



21 de fevereiro de 2007

não tem título.


só tem cinzas de uma quarta-feira.
(antes fossem cinzas de cigarro, cinzas da fogueira da Inquisição, cinzas de um dia cinza.)
vai embora carnaval.
aqui,eu não quero mais você.

Just one more coffee.




How you ever felt like
all directions seem to lead us
to the same place?

20 de fevereiro de 2007

Garota de Ipanema - Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Uma das músicas mais lindas de todo o mundo, cantada por dois gênios brasileiros: Vinicius e Tom. Encantadora e inspiradora de tantos outros músicos e de pessoas com amor no coração, essa canção não poderia ficar de fora do blog. Inclusive, nesse vídeo os dois mestres conversam sobre o momento em que criaram essa obra-prima. E tudo por causa do amor.



Vinicius e Tom, obrigado por deixarem o mundo inteirinho mais cheio de graça.
Vídeo gravado em Milão, na Itália.


15 de fevereiro de 2007

Seja um idiota.

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".
Ailin Aleixo

12 de fevereiro de 2007

Me sentarei sozinha.





E farei um brinde a vocês.

6 de fevereiro de 2007

Samba e Amor, por Fernanda Abreu

Infelizmente não foi possível achar o próprio Chico Buarque cantando "Samba e Amor". Porém, achei essa versão lindíssima dessa bela música, na voz de Fernanda Abreu. Confiram:

Samba e Amor
Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã

De madrugada a gente inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna a nossa cama - reclama
Do nosso eterno espreguiçar

No colo da bem-vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade - que alarde
Será que é tão difícil amanhecer?

Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã

4 de fevereiro de 2007

Before Sunset


" - Achei melhor parar de romancear as coisas. Eu sofria muito. Tenho muitos sonhos que não têm nada a ver com a minha vida afetiva. Isso não me entristece, mas as coisas são assim.

- Por isso tem um relacionamento com quem nunca está por perto?

- Obviamente, não sei lidar com o cotidiano de um relacionamento. É emocionante. Quando ele viaja, sinto saudades... mas não morro por dentro. ter alguém sempre por perto me sufoca.

- Você disse que precisa amar e ser amada.

- Mas quando acontece, sinto enjôo. É um desastre! (risos)

- Só fico realmente feliz quando estou sozinha. Estar só é melhor do que sentir solidão ao lado de um amante. Para mim não é fácil ser romântica. Você começa assim mas depois de se dar mal algumas vezes, esquece seus devaneios e aceita o que a vida lhe dá. Não é verdade. Não me dei mal. Tive muitas relações sem graça. Não foram cruéis. Me amaram, mas não havia ligação nem emoção. Eu, pelo menos, não senti.


(...)


- Sabe o que? Para mim, realidade e amor são contraditórios. (...) O que significa isso? O amor da sua vida? O conceito é absurdo. 'Só nos completamos com outra pessoa'. É maquiavélico!

- Posso falar?

- Sofri demais e me recuperei. Agora, não faço força alguma. Sei que não vai dar em nada.

- Não dá pra viver evitando a dor à custa...

- Falar é fácil. Preciso sair daqui. Pare o carro. Quero descer."

2 de fevereiro de 2007

E para quem pouco conhece sobre Chico Science

O pernambucano Jornal do Commercio lhe preparou uma linda homenagem. Confiram na seguinte página:

Homenagem a Chico Science

Dez anos sem Chico Science

Não posso nem ousar escrever algo que represente a importância real que você tem pra mim. Mas sou teimoso.

Sinto você não apenas como um revolucionário, como um mestre, como um grande músico, mas sinto também como um irmão mais velho alheio à família que me fortalece o corpo e suaviza as quedas nas lutas que a vida nos exige.

Você, além de tantos outros mestres, mostrou ao país, mostrou ao mundo o que o nosso povo tem de especial, o quão genial podemos ser. Você me faz ter mais vontade ainda de gritar a todos os cantos de onde eu vim, a que gente pertenço, com qual cultura eu me identifico. Me deixa de cabeça erguida num lugar onde há tanta gente disposta a nos abaixar só pelo que somos. Você traz orgulho (no melhor sentido da palavra) a esse jovem já tão vazio de auto-estima. Você me faz pensar sobre os problemas dos meus irmãos, me dá força e me faz "sentir vontade de fazer muita coisa", enchendo-me de esperança sobre o dia de amanhã. E como se isso já não bastasse, ainda me faz sorrir e dançar, expressões mais sinceras do que nossas almas podem querer dizer.

Somos, somos, somos, somos, somos Mangueboys! Todos nós que sentimos a tua força, a tua presença, mesmo estando ausente já há 10 anos. Nós que te sentimos e te levamos para mais 10, 100, 1000 anos de existência, nós podemos sim gritar e dançar ao som de um ritmo cosmopolita. Um ritmo com batuque malucos dos malungos daqui, com guitarras e samplers de gente do outro lado do oceano.

Você é as notas que com grande pesar faltam aqui. Mas não importa, malungo sangue bom, nós que aqui ainda estamos, continuaremos tentando deixar tudo soando bem aos ouvidos, buscando nos momentos mais difíceis conselhos, ajuda e apoio nas grandes pessoas que conhecemos, como você.

Sou eternamente grato a você, Francisco de Assis França.

1 de fevereiro de 2007

Devaneios parte II.



" Teresa, se algum sujeito bancar o sentimental em cima de você
E te jurar uma paixão do tamanho de um bonde
Se ele chorar
Se ele se ajoelhar
Se ele se rasgar todo
Não acredita não Teresa
É lágrima de cinema
É tapeação
Mentira
CAI FORA. "




Desculpe Bandeira,mas eu sempre quis que Chico lesse este poema para mim.
E quem manda aqui,sou eu.
E hoje, quero ser Teresa.
E você, quer ser quem?

29 de janeiro de 2007

Origem da expressão "dor-de-cotovelo"

Li na seção "Dito e Feito" da revista Aventuras na História, ed. 42, deste mês de Fevereiro, uma curiosidade que achei muito interessante. Então, resolvi divulgá-la aqui.
Caso se interesse pela revista, compre-a (eu recomendo). Quer ver como ela é? Simples: www.aventurasnahistoria.com.br


"Ter dor-de-cotovelo":



Utilizada para designar o despeito provocado pelo ciúme ou a tristeza de se ter sofrido alguma decepção amorosa, a origem da expressão "ter dor-de-cotovelo" está na clássica cena de alguém sentado em um bar, com os cotovelos apoiados no balcão enquanto mexe uma bebida em um copo e chora o amor que perdeu.

A expressão, incorporada pelos dicionários de língua portuguesa, se difundiu graças ao sambista Lupicínio Rodrigues. Lupe, como era conhecido, foi um mulherengo incorrigível. Usou suas diversas desilusões amorosas como inspiração para compor. Ele costumava classificar sua dor-de-cotovelo em três categorias, conforme a intensidade: a federal, que sempre acabava em um porre; a estadual, suportável; e a municipal, que não rendia sequer um samba. Praticamente todos os sambas de Lupe mencionavam a dor-de-cotovelo.

Lívia Lombardo

25 de janeiro de 2007

Sintoma de saudade.




Arrisco-me a diagnosticar: sintoma de saudade.Lembranças que tomam contam da minha cabeça e desnorteiam meu agir.Eu sei porque isso tem acontecido.É que nos últimos tempos,o presente tem sido "meio de gregro".Sinto falta dos meus amigos como jamais senti.Sinto falta de colo,de afago,de proteção.Fico me protegendo atrás dessa mulher moderna e independente e acabo por me sentir muito longe daquilo que realmente sou.
Deveria,talvez,me sentir mal por estar me expondo dessa maneira...Poderia até sentir-me mal se não soubesse que a diferença entre mim e os outros é que eu sinto e falo e os outros sentem e calam.Eu estou um pouco cansada das responsabilidades que tive que assumir muito cedo.Queria mesmo é ter passado mais tempo sob os braços dos meus verdadeiros amigos.Até sinto saudade das brigas que só hoje fazem sentido.
Não é uma questão de fraqueza - é uma questão de "franqueza de fragilidade".Tenho meus medos que me perseguem e que me afligem pelo peso de escolher certo.Obrigo-me a sempre acertar e erro por insistir em acreditar nesse poder não humano.Queria ouvir opiniões,queria apoio nas minhas decisões.Sinto-me sozinha para decidir sobre tanto de tudo...
Exijo-me a ser correta,exijo-me a perfeição.Tenho acabado meus dias esgotada de tanta tensão.Talvez esteja sentindo isso por ter me acostumado a ouvir o próximo longe do que eu realmente desejava...Diante disso,assumir o meu desejo poderia ser um sofrimento.Desaprendi a saber o que realmente representa o que quero porque tudo ficava tão misturado que minha individualidade desaparecia no meio de tanta gente.
A saudade que me aflige é da forma como as coisas eram encaradas,da simplicidade como já resolvi meus problemas e da comodidade de ter meus amigos disponíveis para o que desse e viesse.Tenho saudade da minha vida criança onde minhas preocupações giravam em torno do que faríamos à tarde quando as aulas já haviam terminado e a turma se reunia.
Sintoma de saudade é dor no peito,é choro fácil.É sonhar um reencontro,é acreditar que para isso o tempo voe.Estou numa reforma interior e isso requer muita paciência para quebrar o que impede a mudança e reconstruir novas pontes.Entretanto, olhar para os lados tem sido doloroso pelo vazio da saudade daqueles a quem amo...
Sintoma de saudade é ouvir músicas que relembram épocas,é sentir cheiros que nos carregam emoções,é reviver cenas.Pego-me reservando minutos do dia para dedicar-me a esses momentos que não voltam,mas me levam para o "bem passado"....
Sintoma de saudade é imaginar que a cada dia um dia tenho a menos.É lembrar que a velhice é certa e que não há negociação com a idade.Sintoma de saudade é de dor adoecida pela falta da presença,pela falta da falta.Sintoma de saudade causou em mim a doença da solidão.


Cristina Hahn.
Foto por: Teresa Sá.

24 de janeiro de 2007

Minha Namorada (Vinicius de Moraes)

Minha Namorada

Vinicius de Moraes

Composição: Vinicius de Moraes / Carlos Lyra

Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de quê
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ser
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber por quê

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida ‚ nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

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E, de brinde, a música tocada por Aderbal Duarte:




Magnífico!

22 de janeiro de 2007

Alma Errada

Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há... e quem é que hoje faz questão de virgindades...
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do
[Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido...

(Mario Quintana)

18 de janeiro de 2007

Devaneios.




"Para mim não importa a hora em que tu chegas em casa, no entanto que chegues bem. Não me importa saber com quem andas, mas sim que esses saibam te fazer sorrir. Me importo com a tua alimentação, com tuas noites não dormidas, com os teus horários. Não há importância para mim nos teus atos, desde que eu sinta que todos eles te realizam. E juro que não me importo de parecer assim a tua mãe. Me importo em te fazer feliz quando estamos juntos e não te fazer chorar quando vou embora. É importante ter certeza do teu bom dia. É importante não esquecer de te dar boa noite. É importante olhar para trás É importante não prometer. É importante cuidar de ti, querer o teu bem, proteger-se. É importante tomar decisões. É importante retirar dúvidas. É importante poder respirar. Não me parece importante o que os outros saibam, somente que tu compreendas. Com grande importância que te tenho aqui... assim. Nunca foste o mais importante, foste o único .
Importante para o coração, nos finais de semana, para curar. Importante na hora de tirar as dúvidas, de viver um bom momento, para existir. Tão importante que eu aprendi, vivi, te amei. Tão importante ao ponto de mais nada importar. Tão importante e capaz de entender que também sou importante. Vê, tu foste importante, és importante, serás importante pra sempre."

16 de janeiro de 2007

"Carinhoso", interpretada por João Gilberto

Uma obra-prima. Uma maravilha divina. Música composta pelo mestre Pixinguinha e pelo recentemente falecido Braguinha, que usava o pseudônimo "João de Barro" para que seu pai não o reconhecesse. Vale a pena vermos esse vídeo quantas vezes forem necessárias.

Carinhoso

(Pixinguinha e João de Barro)

Meu coração
Não sei porque
Bate feliz, quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim, foges de mim
Ah! Se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E muito e muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor
Dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então
Serei feliz, bem feliz

Se o poeta falar num gato


Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa antiga sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam
[de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada
de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!

(Mario Quintana)

14 de janeiro de 2007

Viciado em pensar

"Sou viciado em pensar. Penso besteira, mas penso."

- Ferreira Gullar, há alguns minutos atrás, em uma entrevista a Roberto D'ávila, na TVE Brasil.